terça-feira, 18 de agosto de 2015

Centopeia Humana

      No mesmo instante em que a refeição me vinha como um prato cheio, e eu me deleitava em toda aquela merda caudalosa que alguém despejou para aqueles como nós. Do forno anal direto para o âmago. E para o ânus. E eu não admitia como aqueles garçons não gemiam de prazer com tantas línguas sobre a carne macia de suas bundas. Mas ninguém se importa com os corvos.
      Ou com as bonecas.
      Logo, logo a merda digerida servirá de alimento para outras bocas, que lamberão outras bundas, que se arrepiarão (ou não) de forma que aquela orgia imunda jamais acabará, tal como é cíclica.
      Me pergunto se a merda final se parece com a primeira.
      Tragam os ovos e alguém se lembrará de Simone. Quem se lembrará de outras histórias de outros olhos?
      Agora eu faço piadas, mas não é tão fácil viver quando só o que vemos é a intimidade de alguém sem nunca ver seu rosto. Nem tão prazeroso quanto se a parte colada ao seu sexo fosse o meu próprio, mas, como eu disse, ninguém liga. Estamos sempre comendo e cagando, e comendo e cagando na cara de outras pessoas. Que vão acabar cagando nossos próprios dejetos em nossas bocas. Um círculo insere um ciclo, mas aqui o problema é outro.
      Se pelo menos aquilo o que passássemos adiante pelo ciclo fosse leite quente...



Madá

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